29 de maio de 2013

Leca vs Akadama

Há dois sábados fui bem sucedido na minha missão de encontrar Leca, um tipo de argila expandida, geralmente utilizada na construção como revestimento ou isolamento, sendo também usada em jardins.

Já há bastante tempo que andava para fazer esta compra, mas tinha a ideia pré-concebida que Akadama é uma argila especializada, própria para bonsai, o que faria com que fosse muito melhor que os outros tipos de argila.

Há vários motivos que nos levam a acreditar que akadama é o expoente máximo das argilas para bonsai, mas o principal é, sem dúvida, a publicidade que se vê em todos os viveiros especializados em bonsai. Claro que quem ganha dinheiro com isto tem que vender o seu peixe, mas era escusado sobrevalorizar um produto que pode ser lesivo a longo prazo. Como quem está a começar não quer fazer asneiras e tenta sempre dar o melhor às suas árvores, cai na asneira de comprar um produto que é comercializado bastante acima do valor real.

Não querendo descurar as propriedades positivas da akadama, ao passar por alguns fóruns sobre bonsai e ao ver uns vídeos do Walter Pall, ex: vídeo sobre solos, acabei por concluir que andava a desperdiçar dinheiro. Ele chega a afirmar que a akadama é usada no Japão porque é barata e que se torna um veneno para as árvores a longo prazo.

Segundo o que sei - e corrijam-me se estiver errado - existem dois tipos principais de akadama: uma de qualidade "Regular" que começa a desfazer-se ao fim de um ano devido ao efeito da rega e existe a "Hard quality" que dura cerca de 2 anos. Dentro destes dois tipos, baseados no grau de dureza, existem várias dimensões.

A akadama tem bastantes vantagens, quando utilizada correctamente. Por exemplo, para bonsais jovens que tenham que ser transplantados com frequência, funciona perfeitamente, tendo todas as qualidades desejadas em termos de dimensões, nutrientes, oxigenação das raízes e drenagem de água e ainda tem a vantagem de ser visualmente agradável. 

O problema é que em bonsais que precisem de ficar mais tempo no mesmo vaso sem ser transplantados, assim que a akadama se começa a desfazer, não só perde as suas propriedades positivas, como começa a atrofiar as raízes por falta de oxigenação, tornando-se num pó bastante fino e compacto. Se for uma árvore saudável não deve ter grandes problemas, mas numa árvore recolhida da natureza, que muitas vezes necessitam de ficar 3,4 ou mesmo 5 anos sem se voltar a mexer nas raízes, a akadama torna-se letal. Eu não tenho muita experiência neste campo, mas segundo o que tenho lido, há muitas muitas árvores a morrer quando parecem estar a recuperar bem e a origem do problema costuma estar na escolha incorrecta do solo.

Deixo um link para um forum interessante sobre este assunto: akadama vs argila expandida

Infelizmente não tinha mais akadama em casa, por isso não pude tirar fotos. Ficam as fotos da leca:






Comprei:
1 saco de 50L de Leca S, com dimensões de 1 a 5mm, ideal para vasos de bonsai pequenos.
1 saco de 50L de Leca M, com dimensões de 4 a 12,5mm, que vou usar para pré-bonsais, em vasos consideravelmente maiores, misturada com um pouco de leca de menores dimensões.

Se eu não me puser a recolher árvores que nem um doido no próximo Outono, estes sacos devem durar para cerca de 3 anos e o total foi de 10,50€. Em akadama andava a gastar perto de 20€ por ano.


Queria pedir que não assumam nada do que eu diga aqui como verdade absoluta. Isto parece-me ser um assunto muito delicado e pode haver muito mais a dizer sobre isto.

Gostava de ouvir as diferentes opiniões sobre este assunto.

Abraço,
Gonçalo

21 de maio de 2013

Transplante Carvalho

Este carvalho já me acompanha desde 2010, mas está a mostrar-se bastante difícil de criar uma estrutura de ramos que seja minimamente interessante. 

No início de 2013 reduzi-lhe bastante a altura para a tentar forçar a ramificar na madeira mais antiga. 

Esta árvore tem um longo caminho a percorrer até ser um bonsai, mas não queria aumentar-lhe as dimensões do vaso e  achei que usar um vaso de bonsai fazia sentido, quanto mais não fosse, para poder dar uso aos vasos de bonsai que tenho parados e alimentar-me o ego.

Por enquanto estou a deixar desenvolver todos os troncos que surgem das raízes, porque poderá sair algum mais interessante ou pode ser que a composição final do bonsai seja uma mini-floresta de carvalhos que saem todos da mesma árvore.

Ficam as fotos do processo:








Acidentalmente arranquei-lhe o único ramo que tinha rebentado do tronco principal. Foi um toque de nada, mas foi o suficiente para arrancar o ramo e passar o resto da tarde todo irritado comigo mesmo.. 

Quem disse que este passatempo relaxa? :)

Abraço,
Gonçalo

16 de maio de 2013

Transplante da Nogueira

Esta nogueira já estava há bastante tempo neste vaso e a akadama começava a desfazer-se, pelo que estava na altura de fazer o transplante.

O destino provável para esta pequena árvore será passar dois ou três anos no solo para engrossar a um ritmo bastante mais elevado, mas como apenas devo fazer isso na próxima Primavera, aproveitei para limpar as raízes, remover a terra antiga e aumentar ligeiramente o tamanho do vaso.

Deixá-la mais um ano com a mesma terra não seria nada benéfico para a árvore. A mistura de solo iria tornar-se demasiado densa e isso podia levar a uma atrofia no desenvolvimento das raízes. O oxigénio é essencial para o desenvolvimento saudável das raízes das plantas e a ausência deste compromete a saúde da árvore.

Estado inicial


Gostei de ver que a parte do tronco que estava enterrada engrossou bastante nestes últimos tempos. Pode ser que venha a desenvolver um nebari interessante. 

Pormenor do tronco

Fiz um esforço para não arrancar demasiadas raízes enquanto as limpava e usei uma mistura de solo bastante drenante, com uma grande percentagem de leca, de forma a potenciar um desenvolvimento vigoroso das raízes durante este ano. Quando passar a árvore para o solo, quero ter a certeza que está bem forte :)


Um abraço,
Gonçalo

14 de maio de 2013

Oliveira #2

Esta mini olea foi comprada no Continente, em 2012, numa daquelas campanhas publicitárias de azeite. Custou-me entre 5 e 10 euros.

Na altura apenas a transplantei para um vaso maior, sem cortar as raízes, e fiz uma selecção dos ramos que achei mais importantes para a estrutura da árvore. Ficou cerca de um ano em sossego e agora achei que estava na altura de a mudar para um vaso de bonsai.

O plano é fazer um bonsai com 15 cm de altura no máximo.

Peço desculpa pela minha sombra nas fotos. Estava a ficar sem luz e (a desgraça d) o jogo do porto-benfica estava quase a começar, pelo que tinha que me despachar :)

antes do massacre 


Estado das raízes

Após as raízes limpas



Tinha pensado deixar a oliveira como estava nas duas fotos acima, mas quanto mais olhava para ela, mais vontade me dava de jogar Angry Birds.. Parecia mais uma fisga do que uma árvore, o que me levou a cortar mais um pouco o ramo inferior. Acho que a árvore vai ganhar muito com isso no futuro, embora para já pareça um pouco estranha.



O vaso é grande demais para esta árvore, mas não queria fazer uma redução drástica. Daqui a 2 anos irá para um vaso mais pequeno, mais adequado à grossura do tronco e altura do bonsai.

Um abraço,
Gonçalo

12 de maio de 2013

Sementeiras de 2013

Como há espécies que são mais dificeis de encontrar à venda ou são muito caras mesmo para árvores mais jovens e sem terem um tronco com o mínimo de carácter, decidi semear o resto das sementes que cá tinha em casa.

Por falta de espaço cá em casa para uma infinidade de árvores não tenho grande pressa em ter muito mais árvores a crescer por estes lados. Assim, em vez de tentar acelerar o processo, deixando-as dentro de água por 24 horas, seguidas de uns meses no frigorífico, vou deixa a Natureza tratar de germinar as sementes sem interferência.

Espécies que semeei: Pinus Mugo, Pinus Thunbergii, Prunus Serrulata, Acer Palmatum, Acer Buergeranum (tridente), Juniperus Chinensis, Carpinus e Criptomeria Japonica. 



Algumas das sementes podem demorar mais de dois anos a germinar e algumas destas espécies têm crescimento muito lento. 

 Agora é só aguardar pacientemente!

Abraço,
Gonçalo

11 de maio de 2013

Bonsai Ulmeiro

Aproveitei o feriado de 1 de Maio para iniciar os trabalhos no Ulmeiro que comprei em Fevereiro.

Demorei este tempo a iniciar os trabalhos, porque o bonsai estava numa estufa e eu queria dar-lhe um tempo para se adaptar ao clima do novo lar antes de lhe mexer.

Estado inicial:

 

Sendo um bonsai comercial, o solo deve estar mais que saturado. No entanto, já não estamos na época dos transplantes e decidi apenas podar de forma a limpar e começar a trabalhar a estrutura dos ramos. Assim também evito causar mais stress à planta.

Como sempre, basta-me pegar nas tesouras que me transformo num bruto.. Isto mais parecia uma tosquia que uma poda, mas finalmente começo a ter uma árvore em miniatura, em vez de um emaranhado de folhas.


Parece-me que esta será a frente do bonsai


Farei outro post sobre este bonsai em breve, assim que termine de aramar os ramos.

Um abraço,
Gonçalo

9 de maio de 2013

Buxus #2 e #3

Estes dois buxus têm servido como cobaias.

Estou, em parte, a aproveitar o facto de ter 2 buxus muito parecidos para testar a reacção desta espécie a intensidades de poda diferentes e a transplantes no final do Inverno vs início da Primavera, com diferentes reduções da massa radicular.

Claro que duas plantas não são uma amostra suficiente para um "estudo" conclusivo, mas pode-me ajudar a compreender melhor como lidar com os buxus e a antecipar a reacção da árvore a uma poda ou redução das raízes mais forte.

Neste momento estão as duas em recuperação e só planeio começar a aramar os ramos quando mostrarem sinais de crescimento vigoroso. Até lá é esperar pacientemente :)


Buxus #2
Transplantado no dia 17 de Fevereiro


Reduzi a massa verde e as raízes a cerca de metade.





Buxus #3
Transplantado no dia 14 de Abril.

Optei por fazer uma redução bastante mais forte da massa verde e das raízes, para tentar reduzir a altura original para cerca de dois terços. Ainda deixei alguns ramos compridos demais, mas não tanto como no primeiro caso.

Acho que cometi o erro de a transplantar para um vaso maior do que devia, mas se tudo correr bem, vai passar para um vaso de bonsai daqui a 2 anos.








Ainda têm um longo caminho a percorrer e não fiquei muito satisfeito com a forma actual delas, mas primeiro vou deixar recuperar antes de voltar ao ataque.


Abraço,
Gonçalo